15 de abril dia do ciclista: ciclofaixa só aos domingos?

ciclofaixa domingoPara lembrar o dia internacional do ciclista, 15 de abril, importante fazer algumas reflexões sobre os ciclistas que utilizam a ‘bike’ como esporte, para lazer ou como meio de locomoção. Em Cuiabá muito se badalou nos últimos dias com a inauguração da ciclofaixa na Avenida Miguel Sutil. Dizia a prefeitura e os patrocinadores, que agora a capital mato-grossense respeita o ciclista. Será? Mais ou menos, mais para menos do que para mais.

O fato da ciclofaixa abrir somente aos domingos já nos leva a pensar que o objetivo foi mais de fazer ‘politicagem’ do que atender a necessidade dos que utilizam a bicicleta.  Oras bolas, nos domingos a necessidade de uma ciclofaixa é bem menor do que nos dias de semana. A final, domingo não tem trânsito. Continuar lendo

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MMA – UFC, isso é esporte?

UFC MMA violenciaA luta entre Anderson Silva e Chris Weidman foi manchete nos noticiários dos maiores jornais e sites do Brasil, antes e após o evento que movimentou milhões em anúncios comerciais e apostas. Só para a luta, foram vendidos quase um milhão e quinhentos mil pacotes de pay-per-view. Cifras valorosas para os capitalistas que investem no setor.

A grande mídia, comandada pela Globo, tratava o episódio como a luta do século e a atribuía proporções de espetáculo. Há tempos eles tentam dar esse sentido ao UFC. Na luta o Anderson Silva quebrou a perna e Chris Weidman continuou campeão, muitos ficaram chocados com a cena, e com a violência. Continuar lendo

Handebol feminino do Brasil

O BRASIL TAMBÉM FAZ GOL COM AS MÃOS

As meninas da Seleção Brasileira de handebol conquistaram heroicamente o campeonato mundial na Sérvia, um feito inédito que nem os mais otimistas acreditavam. Antes, o Brasil jamais havia terminado entre os três primeiros, nem no masculino (a melhor marca foi 13º no mundial masculino 2013 e 5º no mundial feminino 2011).

A conquista do mundial surpreendeu a todos e dá elementos para algumas reflexões. Mostrou a vontade e garra das atletas, que praticam um esporte sem muito apoio econômico e midiático. Mesmo assim trouxeram o título. Imaginem se no Brasil o esporte fosse de fato incentivado, desde a base, nas escolas e clubes de bairro.

Os agentes da burguesia se apropriam do esporte somente objetivando o lucro. Como o handebol era um esporte sem perspectiva de títulos olímpicos e mundiais, consequentemente sem retorno financeiro para os “investidores”, as grandes empresas não patrocinam os times nacionais, que sofrem para sobreviver. O Brasil male má consegue organizar um campeonato brasileiro, por falta de apoio. Continuar lendo

Governo do DF, empresa e Fifa querem apagar o nome de “Mané Garrincha” do novo estádio para a Copa 2014

Mané Garrincha deixa adversário no chão após drible desconcertante

Em mais uma demonstração de submissão dos governos brasileiros (estaduais e federal) à Federação Internacional de Futebol (FIFA), o governo do Ditrito Federal vetou na terça-feira (5) o projeto de lei que garantia a continuidade do nome Mané Garrincha ao novo estádio que está sendo contruído para a Copa do Mundo de Futebol 2014.

A justificativa do do governador Agnelo Queiroz (PT) é que a responsabilidade de batizar o novo estádio é da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap), empresa que será proprietária da arena.

O estádio custará R$ 822 milhões que serão financiados com dinheiro público via o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e, ao fim das obras, será entregue para a Terracap administrar e lucrar!

O modelo de parcerias público-privado só poderia resultar no desleixo da memória cultural de um dos maiores ídolos do futebol nacional.

O projeto de lei foi proposto pela direita, através da deputada Liliane Roriz do PSD. Provavelmente o interesse da Roriz era fundamentalmente atacar o governo, no entanto, independente do oportunismo politiqueiro, a lei deveria ser sansionada.

Mané Garrincha pela Seleção Brasileira em 58

O antigo Estádio Mané Garrincha foi inaugurado em 1974 e demolido em 2010 para a construção da nova arena. Era uma homenagem ao homem que é um dos símbolos do futebol-arte. Manuel Francisco dos Santos, nome do Mané Garrincha, ficou conhecido pelos seus dribles desconcertantes e o jeito alegre de jogar futebol. O “Anjo de Pernas Tortas” é considerado um dos maiores dribladores da história. Foi um dos heróis da conquista da Copa do Mundo de 1958 e, principalmente, da Copa do Mundo de 1962. Um patrimônio cultural do esporte mais popular do Brasil.

A interferência da Fifa e das empresas envolvidas com a realização da Copa 2014 tem sido tanta que a constituição brasileira foi praticamente jogada no lixo. O “país do futebol” não é soberano para realizar da sua forma o principal evento do futebol.

Assim foi no caso da venda de cerveja nos estádios, proibida no Brasil na maior parte dos estados. Mas como uma das patrocinadoras da Copa é uma indústria de cerveja, a lei teve que ser modificada às pressas. Sem falar no escândalo da meia-entrada. A Fifa quer que o Brasil acabe com esse direito estudantil durante o evento, para dar mais lucro na venda dos ingressos.

O futuro das obras, se elas devem ou não serem executadas e de qual forma, deve ser determinado pelo povo trabalhador, pois é ele que utilizará o legado.

Em Cuiabá-MT foi demolido o antigo estádio “Governador José Fragelli”, popularmente batizado de Verdão, também para construção de um novo estádio para a Copa 2014. José Fragelli foi membro do Arena, partido da ditadura militar, e teve muitos enfrentamentos com os interesses dos trabalhadores. Neste caso, fazemos questão de apagar para sempre  essa recordação. O novo estádio já é chamado oficialmente de “Arena Pantanal” e para o povo continua sendo o “estádio Verdão”. Já o “Estádio Nacional de Brasília”, como está sendo oficialmente chamado, deve continuar como o eterno “estádio Mané Garrincha”, uma justa homenagem.

Fábio Ramirez

Estádios para Copa 2014 marcam transição para um novo modelo de futebol, mais capitalista e excludente

Estádio Santiago Bernabéu, do real Madrid, não possui gerais, somente cadeiras e camarotes luxuosos

O futebol brasileiro passa por um processo de transformação estrutural, moldando-se conforme o capitalismo exige. Uma das facetas dessa mudança é facilmente observada no modelo dos estádios que estão sendo construídos no país.

A nova estrutura busca adaptar o futebol às necessidades mercadológicas do capital, excluindo cada vez mais os trabalhadores dos estádios e assim obrigando-os a tornarem somente expectador em frente à televisão, e, ao mesmo tempo, trazendo a elite para consumir no novo ambiente.

Há um movimento em curso para otimizar o lucro com o futebol, passando pela modificação do perfil do torcedor que acompanha os jogos nos estádio. Não interessa mais o tipo de torcedor que ia ao jogo de futebol movido somente pela paixão, geralmente sem dinheiro além do necessário para pagar o ingresso e o transporte. O objetivo é atrair o torcedor que seja acima de tudo consumidor, que detenha certo poder aquisitivo capaz de comprar produtos no estádio.

Por isso os doze novos estádios construídos ou reformados para a Copa do Mundo 2014 são na verdade uma estrutura além de uma simples arena futebolística, mas também um verdadeiro “shopping center”, com centenas de salas comerciais e praças de alimentação com grandes lojas do ramo.

Lojas dentro do Estádio Morumbi, do São Paulo

O padrão dos estádios é determinado pela Federação Internacional de Futebol – FIFA. Se extingue as chamadas gerais – arquibancadas sem cadeiras com livre trânsito dos torcedores -. Essas “gerais” sempre custavam um preço menor em relação aos outros setores do estádio, por isso, era o local onde se concentravam o maior número de jovens e trabalhadores. O local mais alegre dos estádios, colorido e criativo, onde se encontravam torcedores fantasiados – os “geraldinhos”-, cartazes, faixas, etc.

Os novos estádios são preenchidos com cadeiras numeradas. Adota-se uma concepção no qual o torcedor se transforma em simples expectador passivo, que torce sentado. Diferente das gerais, que acolhia uma torcida vibrante, que cantava, pulava, em fim, participava ativamente do jogo, como parte do espetáculo, a ponto de influenciar o resultado de partidas, daí o apelido da torcida ser o “12º jogador”, apelido que pode perder o sentido.

Apesar do fim da geral criaram agora as classes nos estádios. Camarotes existem de todo o tamanho e do mais variado luxo e “glamour”. Dependendo do preço a pessoa pode escolher desde um camarote individual, para cinco pessoas, até camarotes com garçons, champanhe e culinárias exóticas.

O estádio de futebol não é como um teatro, onde a platéia somente assiste e não participa do espetáculo, pelo contrário, na arena de futebol a torcida é parte do show!

Um marco histórico nesse processo aconteceu em 2005, com a reforma de “modernização” do maior estádio brasileiro, o Maracanã. Na ocasião acabaram com a geral do elegante estádio, um dos mais famosos do mundo. No lugar da geral, que abrigava até 30 mil pessoas, com ingressos que valiam de R$ 2 a 10 reais, dependendo do jogo, instalaram 18 mil cadeiras com ingressos que não custam menos de R$ 30 reais! Faça os cálculos e veremos qual dá mais lucro. Lembrando que apesar do estádio ser público, há muito tempo sua administração é privada.

A partir de então a tendência se espalhou e a “geral” está com os dias contatos em todo Brasil, sempre em nome da “modernização”. Acabar com a geral é expulsar o povo das arquibancadas.

O que será do futebol sem o povo? sem os milhares de trabalhadores e jovens que ocupavam a arquibancada e coloriam os estádios levando diversão a esse esporte que se tornou atrimônio cultural? só o tempo dirá. De certo mesmo, é que o capitalismo busca sempre se apropriar de tudo, principalmente se tiver raízes populares, para maximizar seus lucros.

Fábio Ramirez