Minha renúncia do Diretório Municipal do PT Cuiabá

Congresso do Sindicato de Estudiantes, Madri/Espanha.

Congresso do Sindicato de Estudiantes, Madri/Espanha.

Companheiros do PT Cuiabá,

Comunico minha renúncia do Diretório Municipal do PT de Cuiabá. Filiei-me ao Partido dos Trabalhadores nesse diretório no ano de 2002. Naquele momento uma maré vermelha varria o país e levava ao poder pela primeira vez um operário metalúrgico. As massas utilizavam o PT como instrumento para enterrar o governo de direita do PSDB/FHC e acabar com as privatizações, a destruição do ensino público e os ataques aos direitos trabalhistas.

Mas desde a posse em 2003, a direção do partido e o governo federal ia no caminho oposto aos anseios da classe trabalhadora, aplicando até o fim a política de conciliação de classes, frustrando a cada dia milhares e milhares que depositavam no PT a esperança de uma vida melhor. Com isso, o PT seguiu a caminhada rumo à destruição do partido como instrumento de luta dos trabalhadores contra o capital.

Nas diversas intervenções que fiz durante as lutas em Mato Grosso, como militante da Esquerda Marxista, sempre expliquei que o PT precisava virar à esquerda e reatar com o socialismo, ou perderia o posto de partido da classe trabalhadora no Brasil. Mas a guinada à direita seguia e em nome da governabilidade, apresentando Michel Temer, Collor, Renan Calheiros, Sarney e dezenas de outros inimigos dos trabalhadores como “aliados”. Sem nenhuma oposição do diretório estadual e deste diretório municipal. Em nosso estado as alianças com a direita se repetia, de Blairo Maggi, maior plantador de soja do mundo, ao decomposto PMDB de Silval Barbosa. Como é possível defender a Reforma Agrária tendo como parceiro um latifundiário? Como é possível lutar por Redução da Jornada de trabalho sem redução de salários tendo grandes empresários industriais compondo o governo?

Na última eleição a classe trabalhadora deu uma nova chance ao partido salvando a reeleição de Dilma para impedir a volta do PSDB. Mas Dilma vai mais à direita. Aplica todo o contrário do que tinha defendido nas eleições e nomeia como ministros, representantes da burguesia: Joaquim Levy, Katia Abreu, Armando Monteiro, Kassab, entre outros. Um governo composto para atender os interesses dos grandes empresários, portanto um governo de ataques aos trabalhadores.

Vimos corte no orçamento, em especial das verbas para educação, saúde, etc. Ataques aos serviços públicos. Privatização de rodovias e portos. Além do pacote de maldades contido nas Medidas Provisórias (MPs) 664 e 665, que alteram as regras de direitos historicamente conquistados pelos trabalhadores.

Esta política desorganiza nossa classe e fortalece os inimigos, incluindo os ditos aliados, como tem ficado evidente na tramitação do Projeto de Lei (PL) 4330, conhecido como o PL da terceirização. Não bastando, Dilma, em acordo com os dirigentes do partido, entrega a articulação política nas mãos de Michel Temer, sinalizando que a avenida está livre para o rolo compressor da burguesia.

Essa política levou ao afastamento de milhares de jovens do partido, que passaram a ter nojo da política ao ver o PT se transformando na mesma coisa que os partidos da burguesia. O Partido dos Trabalhadores está perdendo sua base social! Milhares não enxergam mais o PT como o seu partido.

O governo de coalizão tornou o partido refém da política da burguesia e encorajou os setores mais reacionários da sociedade a atacar não só o PT, mas as lutas da classe trabalhadora.
A luta pelo fim das privatizações, reestatização da Vale, da Embraer, portos, rodovias e retomada de uma Petrobras 100% estatal continua firme nas ruas com milhares que despertam para a luta política desde junho de 2013, quando um tsunami arrastou o país pedindo saúde, transporte e educação. Continua nas mobilizações que estouram por todo o país, como demostraram as greves dos professores de SP e do PR e dos metalúrgicos da Volkswagen.

Diante disso, renuncio ao meu cargo no Diretório Municipal do PT de Cuiabá. Seguirei o combate junto aos jovens e trabalhadores que se mantém fiéis à luta de classes, à luta pelo socialismo.

Fábio Bruno Ramirez

21 de abril de 2015

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