O BRASIL TAMBÉM FAZ GOL COM AS MÃOS

As meninas da Seleção Brasileira de handebol conquistaram heroicamente o campeonato mundial na Sérvia, um feito inédito que nem os mais otimistas acreditavam. Antes, o Brasil jamais havia terminado entre os três primeiros, nem no masculino (a melhor marca foi 13º no mundial masculino 2013 e 5º no mundial feminino 2011).

A conquista do mundial surpreendeu a todos e dá elementos para algumas reflexões. Mostrou a vontade e garra das atletas, que praticam um esporte sem muito apoio econômico e midiático. Mesmo assim trouxeram o título. Imaginem se no Brasil o esporte fosse de fato incentivado, desde a base, nas escolas e clubes de bairro.

Os agentes da burguesia se apropriam do esporte somente objetivando o lucro. Como o handebol era um esporte sem perspectiva de títulos olímpicos e mundiais, consequentemente sem retorno financeiro para os “investidores”, as grandes empresas não patrocinam os times nacionais, que sofrem para sobreviver. O Brasil male má consegue organizar um campeonato brasileiro, por falta de apoio.

O desprezo do capitalismo à modalidade esportiva no país ficou ainda mais evidente com o fato das três grandes redes de televisão que cobrem o esporte terem ignorado o campeonato mundial. Os canais ESPN, ESPORTV-Globo e FOX não adquiriram os direitos de transmissão e não acompanharam o mundial. Restou ao canal novato Esporte Interativo fazer as transmissões.

As redes de televisão, sob o comando da burguesia, não se preocupam com o povo trabalhador. Assim, as redes ESPN, Globo e FOX pressionaram e impediram as operadoras de TV paga Sky, GVT e NET de retransmitirem o canal Esporte Interativo. Só conseguiram acompanhar o jogaço de bola das campeãs do mundo as cidades que possuem o canal em rede aberta ou o quem possui assinatura da TV paga da Claro.

O handebol no Brasil nunca foi um esporte mundialmente competitivo, talvez por conta disso nunca atraiu grandes investidores como o futebol, o voleibol e outras modalidades. Contraditoriamente, o handebol é o terceiro esporte mais praticado nas escolas brasileiras, atrás somente do futsal e voleibol, à frente até do basquetebol.

Mesmo sendo um esporte com tantos adeptos, o fato de o Brasil não ter times campeões e a modalidade praticamente se restringir a uma atividade escolar, os grandes conglomerados capitalistas sempre o ignoraram e preferiram investir em outras modalidades que dão mais retorno financeiro.

No capitalismo tudo é analisado do ponto de vista de maximizar o lucro. Agora, com o Brasil campeão, provavelmente os holofotes da grande imprensa e os olhares das grandes empresas começarão se voltar ao handebol brasileiro. E tentarão moldá-lo conforme seus interesses.

Mas a vitória das meninas mostrou que o Brasil pode ser mais do que somente bom no futebol. Sabemos fazer gols também com as mãos! Agora falta marcar gols igualmente na educação, saúde… Lembrando que Cuba, mesmo tendo um regime stalinista que não chegou ao socialismo, pelo simples fato de expropriar a burguesia e planificar a economia alcançou ótimos resultados no esporte junto com a saúde e educação.

É preciso libertar o esporte da ganância dos capitalistas e torná-lo um instrumento de lazer, integração e confraternização dos povos. Para tanto, é necessário transformar a sociedade, enterrar o capitalismo e construir o socialismo.

Parabéns ao handebol brasileiro, que outros gols com os pés e com as mãos, mas também na saúde e educação possam surgir.

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